Ato marca o Dia Mundial da Água com mobilização pelo Rio Braço Sul em Marechal Floriano

Ato marca o Dia Mundial da Água com mobilização pelo Rio Braço Sul em Marechal Floriano

Na manhã do último domingo (22), data em que se celebra o Dia Mundial da Água, moradores e voluntários se reuniram em Marechal Floriano para um ato simbólico em defesa do Rio Braço Sul. A mobilização foi promovida pelo Instituto SOMAS e teve como ponto central a Ponte Elizabeth Catelan Taquete, local histórico considerado o marco (Zero), inicial da formação da vila.

O encontro começou na rodoviária da cidade e seguiu com uma descida simbólica pelo rio, reunindo participantes em um momento de reflexão sobre a importância da preservação dos recursos hídricos e da conexão da população com o território.

Durante a atividade, os organizadores ressaltaram o valor histórico, cultural e afetivo do Rio Braço Sul para a comunidade. No passado, o rio era amplamente utilizado para banho e pesca, sem os riscos à saúde que hoje preocupam a população.

A mobilização também serviu de alerta para os impactos da ocupação desordenada, do lançamento irregular de esgoto e da degradação ambiental ao longo do curso do rio fatores que contribuíram para o afastamento da população e para a perda da qualidade ambiental.

Segundo o Instituto SOMAS, o ato representa um primeiro passo na construção de uma mobilização social mais ampla em torno da recuperação do rio e da promoção da justiça ambiental e climática na região. A organização avalia que o engajamento da comunidade demonstra o potencial de transformação por meio de ações coletivas.

“Esse ato simboliza nosso comprometimento com o cuidado dos nossos rios e córregos. Ao destacar a importância dos rios para a nossa cidade, reforçamos que eles não são apenas recursos naturais, mas parte da nossa história, da nossa identidade e da nossa qualidade de vida, sendo fundamentais também para a economia e o modo de vida local. O Rio Braço Sul fornece a água que consumimos. Precisamos retomar essa conexão e assumir, juntos, a responsabilidade pela sua preservação e recuperação, já iniciada, ainda que indiretamente, por meio do Projeto Rio Fundo Vivo, que se consolida como o primeiro passo dentro de uma estratégia mais ampla de revitalização de toda a bacia”, destacou o Instituto.

A entidade também reforçou a importância de mudar a forma como a população enxerga o rio: “Precisamos aceitar e valorizar o nosso rio, e não rejeitá-lo. É possível dar nova visibilidade às suas encostas, explorando o paisagismo e o potencial turístico da região”.

História e origem da região

A história do Rio Braço Sul está diretamente ligada à formação de Marechal Floriano. A chegada de imigrantes europeus ao Espírito Santo ocorreu em meio a um período de crise tanto na Europa quanto no Brasil. Na Europa, os reflexos das Guerras Napoleônicas provocaram miséria, fome e desemprego. Já no Brasil, o país enfrentava a transição da mão de obra escravizada para o trabalho livre e assalariado.

Originários da Prússia Renana chegaram 39 famílias a Vitória em 21/12/1846 e seguiram em 27/01/1847, para a Colônia de Santa Isabel, primeiro núcleo de colonização em Terra Capixaba, fundada por Luiz Pereira do Couto Ferraz, presidente da Província do Espírito Santo.

Em 1858 o Ministro e Secretário de Negócios do Império, Sérgio Teixeira de Macedo mandou contratar 130 famílias na Alemanha, para as Colônias de Santa Isabel e Santa Leopoldina. A maioria das famílias que vieram para a Colônia de Santa Isabel foi para a região do Braço do Sul.

O Governo Imperial nomeou um novo engenheiro para a Colônia de Santa Isabel, o Sr. Adalberto Jahn, que contratou o agrimensor Hermann Steinkopf para fazer levantamento de terras ao longo das margens do Rio Braço do Sul.

Em 1860, o Ministro da Agricultura Manoel Felizardo de Souza e Mello, em seu relatório, menciona a contratação do engenheiro Pedro Cláudio Soído para demarcação de 100 novos prazos na região do Braço do Sul, onde se projeta um ponto sobre o rio.

Em 1861 começou a ser construída a ponte sobre o Rio Braço do Sul. O local desta ponte hoje é a que está situada no segundo trevo, saindo para Belo Horizonte. O custo da ponte foi de 1.754,260. (Hum mil contos, setecentos e cinquenta e quatro reais).

E em 22 de outubro de 1861, através do relatório do Coronel e engenheiro Pedro de Alcântara Bellegarde, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, a Vila passou a denominar-se Vila Nacional do Braço do Sul.

Oficialmente, apesar da existência de fontes nas quais os moradores se referem ao local como sendo Marechal Floriano a partir do ano de 1900 (quando foi inaugurada na vila a Estação Marechal Floriano, na Estrada de Ferro Sul do espírito Santo), essa denominação persistiu até 11 de janeiro de 1964, quando, através da Lei Estadual nº 1.956/64, é criado o distrito de Marechal Floriano, subordinado ao município de Domingos Martins, posteriormente elevado à categoria de município de Marechal Floriano.

A mobilização realizada no último domingo reforça que, assim como no passado o Rio Braço Sul foi essencial para o surgimento da cidade, hoje ele continua sendo peça-chave para o futuro sustentável de Marechal Floriano.