Prefeito de Cachoeiro envia carta à Casa Branca e pede reconsideração de tarifa imposta por Trump

Prefeito de Cachoeiro envia carta à Casa Branca e pede reconsideração de tarifa imposta por Trump

O prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Theodorico Ferraço, decidiu não se calar diante da tarifa de 50% anunciada pelo ex-presidente americano Donald Trump sobre produtos brasileiros. Em uma carta oficial enviada à Casa Branca nesta segunda-feira (15), Ferraço apelou pela revisão da medida, destacando os riscos para a economia do sul do Espírito Santo — especialmente para o setor de rochas ornamentais, base produtiva do município.

“Essa medida pode comprometer décadas de trabalho, investimentos e empregos”, escreveu Ferraço em suas redes sociais ao anunciar o envio do documento.

Na carta, redigida em inglês, o prefeito detalha que Cachoeiro é o centro da indústria brasileira de mármore e granito, reunindo cerca de 600 empresas e mais de 6,5 mil empregos diretos. Os Estados Unidos são o principal destino dessas exportações, respondendo por 56,3% do total comercializado pelo setor.

Ferraço também enfatiza que os impactos não seriam sentidos apenas no Brasil. “A medida resultaria em um aumento significativo nos custos para o setor de construção civil e para distribuidores americanos, afetando consumidores e empresas nos EUA”, aponta o documento.

O prefeito defende o diálogo como caminho para evitar prejuízos de ambos os lados e se coloca à disposição para intermediar uma reunião entre empresários capixabas e representantes do governo norte-americano. Para ele, a nova tarifa rompe com décadas de confiança e parceria comercial entre Brasil e EUA.

Medida preocupa setor de rochas

A tarifa anunciada por Trump foi recebida como um duro golpe para a economia capixaba, afetando setores como mármore e granito, aço, celulose, café, gengibre, macadâmia, petróleo e minério. Só o segmento de rochas responde por mais de 80% das exportações brasileiras, enfrentando agora o risco de perder competitividade para países como Índia, Turquia e China.

Além do impacto econômico, autoridades brasileiras veem na decisão de Trump uma retaliação política, com motivações eleitorais ligadas ao bolsonarismo. O ex-presidente americano chegou a elogiar Jair Bolsonaro publicamente, criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) e sugerir que empresas brasileiras produzam dentro dos EUA para escapar da tarifa, o que foi interpretado como chantagem comercial.

Em meio a esse cenário, Theodorico Ferraço decidiu agir, mesmo como gestor municipal, e dar voz aos produtores da região. Resta saber se o apelo enviado de Cachoeiro de Itapemirim será considerado — ou ignorado — pela Casa Branca.